Salgueiro divulga fantasia da ala de baianas no dia do aniversário de Rosa Magalhães; croqui original que inspirou o figurino foi encontrado há 6 meses.
O Salgueiro divulgou nesta quinta-feira, 8 de janeiro, uma de suas fantasias da tradicional ala de baianas da escola. A escolha da data é uma homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães: a professora, enredo da agremiação neste ano e que morreu em julho de 2024, estaria completando 79 anos hoje. Curiosamente, o croqui que inspira a roupa, do desfile de 1990 ("Sou Amigo do Rei"), só foi encontrado há seis meses.
Para vestir a peça, a escola escolheu Tia Glorinha, presidente da ala das baianas. Em 79 anos de vida, ela conta que neles todos fez parte da escola, na qual está "desde a barriga" da mãe, como define. Moradora do Morro do Salgueiro, comanda as baianas há 19 anos e se diz chata, exigente com a maquiagem e com a roupa de suas comandadas, que acompanha de perto no barracão, por exemplo, mas também uma "mãezona" com suas 80 baianas. Além de lembrar do "jeitinho calmo" de Rosa, outra recordação de Glorinha é justamente da fantasia original na qual o Salgueiro está se inspirando.
Na hora que vi a fantasia deste ano, falei: "Saí com essa roupa. Mas o material era outro. Melhorou muito. Antes, era mais pesado", observa a presidente da ala das baianas, protagonista do ensaio com a fantasia de 2026.
Durante o processo de criação, a equipe de carnaval da agremiação se debruçou sobre mais de 5 mil imagens baixadas, pela internet, do acervo de Rosa, que foi doado por ela, em vida, para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). No entanto, enquanto cada desfile tinha uma média de cem desenhos os ilustrando, a carnavalesca já assinou desfiles na Imperatriz, na Vila Isabel, na São Clemente, no Império Serrano e na Estácio, por exemplo, os anos de 1990 e 1991, justamente quando ela assinou as apresentações do Salgueiro, tinham só vinte, cada.
"Essa fantasia é uma das referências mais diretas do nosso desfile. Nosso enredo é um passeio pelo universo da Rosa, e não a um desfile específico", observa o enredista do Salgueiro, Leonardo Antan.
"Essa é uma forma de a gente levar para a Marquês de Sapucaí o traço da professora, numa das peças que era predileta da sua composição de figurino. Ela tinha predileção especial por criar suas comissões de frente e suas alas de baianas. Rosa é a maior detentora de Estandartes de Ouro de ala de baianas (oito) da História do carnaval", observa o carnavalesco salgueirense Jorge Silveira. Por isso, o Salgueiro oferece de presente para ela sua ala de baianas no dia de seu aniversário.
Mas, há seis meses, quando fazia um ano que Rosa tinha partido, suas amigas encontraram esses croquis perdidos em uma pasta na casa da carnavalesca. Esse material, então, foi aproveitado pela escola, únicos desenhos com os quais os artistas do Salgueiro tiveram contato fisicamente, e depois doado para a Uerj, para se somar ao acervo. Nesse material recuperado estava justamente o desenho das baianas de 1990.
"Essa fantasia é uma das referências mais diretas do nosso desfile. Nosso enredo é um passeio pelo universo da Rosa, e não a um desfile específico", observa o enredista do Salgueiro, Leonardo Antan.
A estética da roupa, de dama da corte, é medieval, como a original. Mas, na releitura do carnavalesco Jorge Silveira para 2026, as peças foram abrasileiradas, com estampas de onça, numa inspiração no Movimento Armorial, do escritor Ariano Suassuna.
Neste ano, o Salgueiro será a última escola a desfilar no Grupo Especial, algo inédito na Era Sambódromo. Na Passarela do Samba, Rosa Magalhães foi a maior campeã, com seis títulos, sendo cinco pela Imperatriz e um pela Vila. Como carnavalesca, assinou também o desfile campeão do Império Serrano, em 1982 (pré-Sambódromo). Em 1971, fazia ainda parte da equipe do desfile campeão do Salgueiro.
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