Análise de Desfiles: Segunda Noite da Série Ouro.

 

​A segunda noite de desfiles das escolas de samba da Série Ouro começou com um atraso de meia hora.

​BOTAFOGO SAMBA CLUBE – A Botafogo coloriu a avenida com um excelente uso das cores. Belíssima a roupa do primeiro casal; uma pena o uso equivocado da iluminação durante a apresentação do pavilhão. A bateria esteve em perfeita sintonia com a voz surreal do incrível Nêgo. Foi um desfile bem melhor que o do ano passado.


​EM CIMA DA HORA – A Em Cima da Hora trouxe toda a imponência e o axé das Marias. Foi um desfile valente, com um samba carregado de força e muito bem executado pela bateria. Lamentavelmente, a evolução foi totalmente irregular e houve problemas de acabamento nas alegorias. Apesar das intercorrências, a escola deve ficar bem posicionada.


​ARRANCO – Desfile extremamente agradável do Arranco; uma maravilha completa. Colorido, alegre e emocionante. Foi uma aula de bom gosto da maravilhosa Annik Salmon, com mais um enredo cheio de afeto e acolhimento. Escola de samba é sinônimo de felicidade; o Arranco foi mais que feliz: deu gargalhada na avenida.


​IMPÉRIO SERRANO – O Império Serrano é gigante; é impossível não se emocionar vendo a Serrinha desfilar toda a sua glória. Impecável, a escola mostrou-se completamente ciente da força e da ancestralidade que possui. Foi a consagração de Conceição Evaristo como a grande escritora que é. Do início ao fim, não houve nada a reparar. Um desfile com o tamanho da sua grandeza. Campeã por si só. Ponciá Yalodê.


​ESTÁCIO DE SÁ – A Estácio sabe exatamente como alcançar o público da Sapucaí; entende desse palco como ninguém. O desfile foi incrível, com uma entrada colorida, festiva e carnavalesca. O enredo demonstrou profunda identificação com a escola. Mais um belíssimo trabalho estético do talentoso Marcos Paulo. Deve perder pontos em evolução, mas nada que tire o brilho que o conjunto do desfile proporcionou. Pisando forte e disposta a brigar pelo título, no terreiro de Tancredo, a Estácio incorporou.


​UNIÃO DE MARICÁ – É muito interessante notar a vontade que Maricá tem de ser grande e o esforço que faz para conseguir. Apresentou um desfile correto e esteticamente impecável. Houve uma nítida melhora na harmonia em relação aos últimos anos; os componentes cantaram e evoluíram muito bem. A escola está bem próxima de satisfazer seu desejo de entrar na elite do carnaval carioca. Pode ser que o último carro apagado custe a vaga no Especial, mas certamente Maricá terá um dos três melhores desfiles da Série Ouro deste ano.


​PORTO DA PEDRA – Apresentou um dos melhores enredos que já passaram pela avenida, mas teve uma plástica extremamente complicada. Foi um desfile limitado, muito aquém do que poderia ter sido. É triste ver que a Porto da Pedra tinha tudo para fazer uma exibição revolucionária, mas entregou um conjunto mediano, longe do padrão a que está acostumada. Vale a mensagem, mas deixou muito a desejar.


​UNIDOS DA PONTE – Excelente proposta da Ponte. Foi um desfile correto, sem grandes problemas, apostando em uma estética jovial e ousada. É um ótimo retorno do talentoso Nicolas Gonçalves ao Carnaval carioca; uma apresentação digna da escola.


UPM e Império Serrano fizeram os melhores desfiles da Série Ouro em 2026 e vão disputar a vaga no Especial em 2027.

Maricá, mesmo com todos os problemas, pode brigar, mas sem chances de título. 

Estácio, Arranco, Ilha, Vigário Geral, Bangu, Acari e Inocentes fizeram bons desfiles.


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✍️ Thiago Otero Jornalista | Cultura, Carnaval e Entretenimento.


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