Morre aos 49 anos a sambista Adriana Araújo; cantora foi vítima de um aneurisma cerebral em Belo Horizonte.

Foto: Ronald Nascimento/Divulgação

A sambista Adriana Araújo morreu aos 49 anos, em Belo Horizonte, nesta segunda-feira (2). A informação foi anunciada pelas redes sociais da cantora às 15h32. 

A artista estava internada no Hospital Municipal Odilon Behrens, em Belo Horizonte, desde o último sábado (28 de fevereiro), após sofrer um aneurisma cerebral.

A notícia do falecimento foi confirmada pela equipe da artista através de suas redes sociais oficiais, provocando uma onda imediata de comoção entre fãs, amigos e colegas de profissão. "Hoje nos despedimos da nossa amada Adriana Araújo. Adriana foi muito mais do que uma grande voz do samba. Foi abraço largo, sorriso fácil, coração generoso e uma alegria de viver que iluminava todos ao seu redor", dizia o trecho da nota oficial.

De acordo com informações de sua assessoria e familiares, Adriana passou mal repentinamente em sua residência na noite de sábado. Ela sofreu um desmaio e foi levada inicialmente para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Após a constatação da gravidade do caso, foi transferida para o Hospital Odilon Behrens.

Exames de imagem diagnosticaram um aneurisma cerebral que resultou em uma hemorragia de grande extensão. A sambista permaneceu em coma, entubada e sob cuidados intensivos. Na manhã de segunda-feira, a equipe médica já havia informado que o quadro era considerado "gravíssimo e irreversível". O falecimento foi comunicado oficialmente por volta das 15h30.

Adriana Araújo sofria de pressão alta, uma condição que, segundo especialistas, é um dos principais fatores de risco para o surgimento e rompimento de aneurismas. A rapidez do ocorrido chocou a comunidade artística, já que a cantora mantinha uma agenda ativa de shows e projetos.


Foto: Reprodução/Redes sociais

Nascida em 1976 na comunidade da Pedreira Prado Lopes (PPL), na região da Lagoinha, Adriana Araújo carregava no DNA a essência do samba belo-horizontino. A Lagoinha é historicamente reconhecida como o berço do gênero na capital mineira, e Adriana cresceu imersa nessa cultura.

Sua formação artística foi marcada pela multidisciplinaridade. Ela foi aluna de Marlene Silva, a "Dama da Dança Afro", e frequentou oficinas de teatro e técnica vocal oferecidas pela Prefeitura de Belo Horizonte dentro de sua comunidade. Essa base sólida permitiu que ela desenvolvesse uma performance de palco única, que unia o canto ancestral a uma presença cênica magnética.

Antes de seguir carreira solo, Adriana integrou por anos o grupo Simplicidade Samba, ao lado de seu marido, o músico Evaldo Araújo. O grupo tornou-se uma instituição do Bar do Cacá, um dos redutos mais tradicionais do samba no bairro São Paulo, atraindo multidões todos os domingos.

Foi em 2020, em meio aos desafios da pandemia de COVID-19, que Adriana Araújo decidiu dar um passo decisivo em sua carreira solo. Enquanto o mundo se isolava, ela transformou a laje de sua casa na Pedreira Prado Lopes em um palco. Através de lives solidárias, Adriana não apenas manteve sua arte viva, mas arrecadou toneladas de alimentos e recursos para as famílias de sua comunidade e de bairros vizinhos, como o Primeiro de Maio e São Marcos.

Em 2021, lançou seu primeiro álbum de estúdio, intitulado "Minha Verdade". O disco foi um marco, consolidando sua posição como compositora e intérprete. As canções abordavam temas como a força da mulher negra, a ancestralidade e o cotidiano das periferias. Em 2025, ela deu continuidade ao sucesso com o álbum ao vivo "3 Jorges", um tributo às obras de Jorge Aragão, Seu Jorge e Jorge Ben Jor, reafirmando sua versatilidade.

Ao longo de sua trajetória, Adriana dividiu o palco com ícones nacionais do samba, incluindo Leci Brandão, Zeca Pagodinho, Diogo Nogueira e Fabiana Cozza. Em Minas, ela era figura onipresente nos grandes eventos, desde o Carnaval de Rua de BH até festivais como a Virada Cultural e o Festival Sensacional.

A morte de Adriana Araújo deixa um vácuo imenso na cultura mineira. O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA) e a Prefeitura de Belo Horizonte emitiram notas de pesar, destacando que "o samba que ela viveu segue entre nós".

A artista deixa o marido, Evaldo Araújo, e um filho de 13 anos, Daniel dos Santos Araújo. Para além da técnica vocal impecável, Adriana será lembrada por sua luta constante contra o preconceito e pelo fortalecimento do protagonismo feminino no samba, um gênero ainda majoritariamente masculino em suas esferas de decisão.

O velório está programado para ocorrer nesta terça-feira, 3 de março, na quadra da Escola de Samba Unidos dos Guaranis, na região da Lagoinha — local que sempre foi seu porto seguro e fonte de inspiração. O sepultamento será reservado aos familiares.

Como dizia uma das mensagens deixadas por fãs em suas redes sociais: "Adriana não apenas cantava o samba; ela era o samba em movimento". Sua voz, agora eterna nas gravações, continuará ecoando como um símbolo de resistência e alegria da periferia de Belo Horizonte para o mundo.

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🚨 SOS Minas Gerais: Ajude as vítimas das chuvas.

Enquanto as equipes de resgate atuam 24 horas para localizar vítimas dos deslizamentos, desmoronamentos e inundações em Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, na Zona da Mata de Minas Gerais, várias instituições e voluntários estão mobilizados para arrecadar e distribuir ajuda a centenas de pessoas atingidas.


Neste momento, a orientação é para a doação de itens de primeira necessidade, como água mineral, alimentos não perecíveis, materiais de limpeza, produtos de higiene pessoal, colchões, cobertores, travesseiros, toalhas de banho, roupas e calçados.

🚨 COMO AJUDAR?

Em Juiz de Fora, cidade mais afetada pelos desastres, a prefeitura criou uma frente de ajuda humanitária que vai coordenar o recolhimento e a distribuição de donativos. Foram instalados 24 pontos onde os donativos poderão ser entregues em todas as regiões da cidade. Entre eles, a sede da prefeitura, a Casa da Mulher, as escolas municipais Murilo Mendes e Professor Nilo Camilo, além de shopping centers e redes de supermercados.

Valores em dinheiro para ajudar os atingidos estão sendo recebidos via Pix pela chave: contribua@pjf.mg.gov.br.

Em Ubá, a prefeitura centralizou a coleta de doações em três pontos: na sede da Guarda Municipal, na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e na Câmara Municipal.

O governo do estado está arrecadando doações através do Serviço Social Autônomo (Servas).

As doações podem ser entregues na sede do Servas, na Avenida Cristóvão Colombo, 683, no bairro Funcionários, em Belo Horizonte. Doações em dinheiro devem ser feitas pelo Pix, pela chave: sosaguas@servas.org.br

Os recursos serão convertidos em crédito em um cartão humanitário entregue às famílias atingidas para a compra de água mineral, alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal e material de limpeza.

A Arquidiocese de Juiz de Fora está coletando doações em diversas paróquias da região. Em Belo Horizonte e região metropolitana, as doações podem ser feitas na Catedral Cristo Rei, no bairro Juliana, na região de Venda Nova, e no Vicariato para Ação Social, no bairro Lagoinha. Doações de dinheiro podem ser feitas via Pix pela chave: 31971047831.

Também em Belo Horizonte, a Cruz Vermelha está arrecadando doações para as famílias atingidas pelas chuvas na Zona da Mata. A instituição está recebendo alimentos não perecíveis, produtos de limpeza e de higiene pessoal na sede, que fica na Rua Gastão Bráulio dos Santos, 837, no bairro Gameleira. Doações em dinheiro podem ser feitas via Pix pela chave: soschuvas2026@cvbmg.org.br.

🚨 MUITO IMPORTANTE: As prefeituras e o governo do estado alertam a população para realizar as doações em dinheiro apenas pelos canais oficiais divulgados pelas instituições e sempre conferir qual o destinatário.