Opinião: Grupo Especial com 15 escolas é um sonho distante e quase impossível de ser realizado.


Na manhã da última segunda-feira, 16 de março, o mundo do samba foi pego de surpresa com uma publicação do futuro candidato ao Palácio Guanabara, Eduardo Paes, no X (antigo Twitter). Às 07h37, Paes comentou que sua última sugestão carnavalesca ao futuro prefeito, Eduardo Cavaliere, e ao presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, foi a de aumentar o número de escolas de samba no Grupo Especial do Rio de Janeiro para 15 agremiações, com cinco desfilando em cada uma das três noites.

E mais: o político sugeriu que o primeiro ano desse modelo deveria ser feito convidando escolas tradicionais que hoje pertencem à Série Ouro, a segunda divisão do Carnaval carioca. As agremiações convidadas seriam: União da Ilha do Governador, Império Serrano e Estácio de Sá.

A postagem reacendeu um bastidor antigo do Carnaval carioca. Desde 2020, durante os percalços da pandemia e em meio à volta de Paes à Prefeitura, comentava-se sobre a possibilidade de os desfiles do Grupo Especial serem divididos em três noites, com cinco escolas em cada, totalizando 15 agremiações no grupo.

Em abril de 2021, a Liesa realizou uma plenária em sua sede e chegou a apresentar a proposta para os 12 presidentes da época; nada foi decidido. A plenária foi manchete do jornal O Dia e tornou pública a ideia do novo modelo do espetáculo.

Já em maio de 2024, logo após a eleição de Gabriel David, a proposta de dividir os desfiles em três noites foi novamente apresentada e aprovada por unanimidade pelos dirigentes, mantendo 12 agremiações no grupo, com quatro escolas por noite.

Ao longo do pré-carnaval de 2025, o assunto de que a elite seria composta por 15 escolas dominou a chamada "bolha do carnaval". Nessa mesma época, começou-se a falar da ideia de que três agremiações fossem convidadas para compor o novo modelo. No fim de 2025, o deputado Dionísio Lins (Progressistas-RJ) chegou a liderar uma articulação que visava um acordo entre Eduardo Paes (PSD) e o governador Cláudio Castro (PL) para que houvesse a liberação de verba para que as três novas agremiações ascendessem ao grupo.

Na ocasião, Gabriel David foi conciso ao dizer que a Liesa não pretende alterar o número de escolas presentes no Grupo Especial. Outro que se posicionou sobre o assunto foi João Drumond, diretor financeiro da Liga e vice-presidente da Imperatriz Leopoldinense, alegando que a Cidade do Samba tem 14 barracões disponíveis, sendo dois utilizados pela própria Liesa, de maneira que o local não comportaria a quantidade de escolas propostas no modelo de Lins.

O que ninguém comenta oficialmente é o ponto crucial para que a Liga não aceite a ideia de ampliar o Grupo para 15 escolas: o dinheiro. Existe, internamente, uma pressão por parte dos gestores por mais recursos financeiros. Dizem os presidentes que um desfile para disputar o título, hoje, custa entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões. As receitas fixas atuais, com subvenções, ficam em torno de R$ 15 milhões.

Ter mais escolas no grupo implicaria ter que dividir o aporte financeiro com todas elas; logo, aceitar receber menos do que se recebe com 12. Com 15 escolas, as receitas cairiam drasticamente, de maneira que cada escola teria sua subvenção diminuída.

Nos bastidores, um dos decanos da Liesa, Capitão Guimarães, tem dito que não existe chance de a entidade abrir mão da qualidade em favor da quantidade. Para o patrono, não vale a pena desnivelar o espetáculo em virtude da ideia de ampliar o número de escolas da elite.

Claro que todos os sambistas sonham com a possibilidade de ver três grandes e tradicionais escolas de volta ao seu devido lugar, mas a verdade é que, além dos imbróglios financeiros e geográficos que impedem o sonho de se tornar real, falta vontade política por parte da Liesa; e nenhuma vontade dos presidentes que compõem a casa.

Pode-se afirmar que a sugestão dada por Paes é um sonho quase impossível. "Quase" é um termo bom de ser empregado nessa situação. Afinal, tudo pode mudar de uma hora para outra. Enquanto não muda, os presidentes das possíveis beneficiadas com o convite aguardam ansiosamente os próximos capítulos dessa novela que envolve o amor, a dedicação e o futuro de agremiações de extrema importância e relevância no Carnaval carioca.


                                            Thiago Otero.