Capitão Guimarães classifica como ‘retrocesso’ possível expansão do Grupo Especial
Ex-presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e atual patrono da Unidos de Vila Isabel, Guimarães utilizou sua experiência histórica para questionar a motivação por trás da mudança. Segundo ele, a fundação da Liga teve como pilares a preservação da qualidade e o fortalecimento das grandes agremiações.
"Aumentar o carnaval tem que ser qualitativo", afirmou o dirigente, enfatizando que qualquer alteração no regulamento deve priorizar o nível técnico em vez de apenas o volume de participantes. Ele defende que o dinamismo do evento é o que garante sua sobrevivência e prestígio internacional, e que inflar o número de escolas poderia diluir esse valor.
Impacto na grade horária e no público
Um dos argumentos mais fortes apresentados por Guimarães diz respeito à logística operacional e ao conforto de quem assiste e de quem faz o desfile. Atualmente, a grade horária já sofre com o início tardio, condicionado à programação da Rede Globo. Com a configuração atual de quatro escolas por noite (em um modelo de três dias), os horários já são considerados críticos.
"Hoje uma escola demora 2 horas para desfilar. A última escola entra 4h15 da manhã, quando devia entrar 2h30. Colocar uma quinta escola seria ainda desfilar de 6h30 da manhã", explicou. Para o decano, estender a jornada até o amanhecer prejudica a experiência do público e o rendimento técnico das comunidades.
Além disso, Guimarães chamou a atenção para a audiência doméstica. Ele pontuou que, enquanto o Sambódromo comporta cerca de 100 mil pessoas, a transmissão televisiva alcança mais de 10 milhões de espectadores. Uma programação que avança excessivamente pela madrugada poderia afastar esse público massivo, que é vital para os patrocinadores e para a visibilidade do Carnaval.
Capitão Guimarães defende independência da Liesa e diz que Prefeitura não manda na liga
No vídeo, o dirigente também enviou um recado direto sobre a governança da festa. Embora tenha reconhecido a importância do Poder Executivo municipal no fomento ao evento, ele foi enfático ao defender a soberania das escolas de samba. "O dono do carnaval é o prefeito, mas a Liga não pertence à prefeitura", disparou, reforçando que as decisões estratégicas sobre o desfile devem emanar da própria Liesa.
Ao finalizar sua declaração, Capitão Guimarães admitiu ter sido pego de surpresa com a ventilação do projeto de 15 escolas. Ele reiterou que sua postura é pautada exclusivamente na manutenção do prestígio do Carnaval do Rio de Janeiro: "Eu acho que carnaval é qualidade", concluiu.
Prefeito vai se reunir com presidentes do Grupo Especial a convite de Gabriel David
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Thiago Otero Jornalista | Cultura, Carnaval e Entretenimento.Tem alguma informação de bastidor, comentários, dúvidas ou críticas? Entre em contato. Informação de qualidade se faz com independência e apoio dos leitores.
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