O documentário “O Testamento: O Segredo de Anita Harley” consolidou-se como um fenômeno sem precedentes no Globoplay. Lançada no final de fevereiro de 2026, a obra alcançou a marca histórica de um mês ininterrupto como o conteúdo mais assistido do serviço de streaming da Globo. O desempenho supera produtos de alto apelo popular, como a novela das nove Três Graças e o Big Brother Brasil 26, estabelecendo um novo patamar para o gênero documental no Brasil. Prestes a ultrapassar o sucesso de Vale o Escrito (2024), a série caminha para se tornar o documentário mais visto da história da plataforma desde sua criação em 2015.
O Enredo: Uma Disputa de R$ 1 Bilhão
A produção mergulha nos bastidores de uma das batalhas jurídicas mais complexas e ricas do país: a sucessão de Anita Harley, herdeira das Lojas Pernambucanas. O conflito central teve origem em 2016, quando a empresária sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que a deixou em estado de coma.
A partir do incidente, iniciou-se uma intensa disputa judicial pela sua curatela — o encargo legal atribuído a um terceiro para administrar os bens e representar civilmente uma pessoa que perdeu a capacidade de autogoverno. No centro do embate está uma fortuna estimada em R$ 1 bilhão, envolvendo não apenas o patrimônio financeiro, mas o controle acionário de uma das redes varejistas mais tradicionais do Brasil.
Protagonistas e Conflitos de Versões
Para organizar a trama, a série utiliza uma estrutura que combina o perfil dos envolvidos com uma cronologia dinâmica dos fatos. O documentário apresenta depoimentos inéditos dos três personagens principais que reivindicam direitos sobre o cuidado e o patrimônio de Anita:
Cristine Rodrigues: Secretária de confiança da empresária por décadas. Ela foi indicada em um testamento vital por Anita como a responsável legal por seus cuidados de saúde e decisões pessoais.
Sônia Soares (Suzuki): Funcionária que residia na mansão de Anita. Ela afirma ter mantido uma união estável com a empresária, declarando-se sua companheira.
Arthur: Filho de Sônia, que ingressou na justiça buscando o reconhecimento de maternidade socioafetiva, o que lhe conferiria legalmente o status de herdeiro direto de Anita Harley.
Além do núcleo central, o projeto reúne vozes de advogados, amigos próximos e outros familiares, expondo as contradições e as estratégias jurídicas de cada lado do processo.
Produção e Direção de Peso
O sucesso de "O Testamento" reflete a nova estratégia do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo, agora sob a liderança do jornalista Pedro Bial. A direção é assinada por Camila Appel, com codireção de Dudu Levy. O roteiro, peça fundamental para dar clareza à complexa teia de interesses, foi desenvolvido por Ricardo Calil, Camila Appel e Iuri Barcelos.
A equipe técnica conta ainda com a pesquisa rigorosa de Iuri Barcelos, produção de Anelise Franco e produção executiva de Fernanda Neves. A direção artística ficou a cargo de Monica Almeida, que imprimiu o ritmo de suspense que tem cativado o público brasileiro.
A permanência prolongada no topo do ranking do Globoplay sinaliza uma mudança no comportamento do espectador de streaming, que demonstra crescente interesse por narrativas de true crime e investigações corporativas de fôlego, mesmo em meio a grandes produções de entretenimento e ficção. Com o desenrolar das ações judiciais na vida real, o documentário permanece como a principal fonte de informação detalhada sobre o destino da herança das Pernambucanas.
Foto: Bia Parreiras/Abril
-------------------------------------------------
Gostou? Compartilhe com seus amigos e com pessoas que também possam gostar!
Sugestão de pautas e contato: thiagooterodefreitas@
Contribua via Pix: thiagooterodefreitas@
Thiago Otero Jornalista | Cultura, Carnaval e Entretenimento.
Tem alguma informação de bastidor, comentários, dúvidas ou críticas? Entre em contato. Informação de qualidade se faz com independência e apoio dos leitores.
Apoie o Jornalismo Independente!