O Sincretismo no Prato
A escolha da feijoada como prato oficial da data não é coincidência; é fruto do sincretismo religioso. Nas religiões afro-brasileiras, o soldado romano São Jorge é associado a Ogum, o orixá guerreiro, senhor dos metais e do trabalho. Para Ogum, o feijão é uma "comida de axé", símbolo de força e fartura. Assim, o que começou como uma oferenda ritualística nos terreiros de Candomblé e Umbanda expandiu-se para toda a sociedade fluminense.
União e Tradição
Enquanto a figura de Jorge representa a coragem contra a opressão — herança de seu martírio ao enfrentar o imperador Diocleciano —, a feijoada simboliza a comunhão. O prato promove o encontro entre o sagrado e o profano, harmonizando as tradições cristãs e de matriz africana.
Seja em Quintino, nos terreiros, nos bares ou nas quadras das escolas de samba, o cenário se repete: devotos vestidos de vermelho e branco celebram a proteção do "Santo Guerreiro". Entre orações por justiça e pedidos de abertura de caminhos, a feijoada reina absoluta, reafirmando a identidade de um povo que faz da fé uma verdadeira festa.
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Thiago Otero Jornalista | Cultura, Carnaval e Entretenimento.
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