Neste domingo, 19 de abril, o cenário cultural brasileiro celebra os 85 anos de Roberto Carlos. O cantor, figura central do movimento Jovem Guarda, consolidou-se como um dos principais responsáveis pela popularização do rock no Brasil e pela introdução de gêneros como o soul, o funk e a música beat no país. Ao longo de sua trajetória, o "Rei" teve sua vida e obra transformadas em espetáculo visual na Marquês de Sapucaí em duas ocasiões distintas: 1987 e 2011.
1987: A estreia na Unidos do Cabuçu
A primeira homenagem ocorreu há quase quatro décadas, através da Unidos do Cabuçu. Sob a gestão da presidente Therezinha Monte, a escola de azul e branco apresentou o enredo "Roberto Carlos na Cidade da Fantasia". O desfile buscou transpor para a avenida o universo lírico do artista, centrando-se nos temas do amor e da emoção.
O samba-enredo narrou a trajetória do cantor de forma poética, estabelecendo paralelos desde a mitologia grega, com "Apolo dedilhando sua lira", até a consagração definitiva na música popular. Naquela época, Roberto Carlos demonstrava certo receio em relação à dinâmica da folia, mas sua passagem pela avenida foi marcada por forte aclamação popular. Relatos históricos registram que o artista se emocionou visivelmente, apesar de um incidente técnico com seu cordão de prata e o medalhão de Cristo momentos antes do início do desfile. A Cabuçu encerrou a competição em sétimo lugar; atualmente, a agremiação desfila na Estrada Intendente Magalhães.
2011: O triunfo da Beija-Flor de Nilópolis
Vinte e quatro anos depois, Roberto Carlos retornou ao posto de enredo, desta vez pela Beija-Flor de Nilópolis. Com o título "A Simplicidade de um Rei", a escola da Baixada Fluminense traçou um arco biográfico completo: desde a infância em Cachoeiro de Itapemirim até o auge da Jovem Guarda. O samba, composto por uma parceria que incluiu Samir Trindade, Serginho Aguiar e JR Beija-Flor, foi interpretado pelo intérprete Neguinho da Beija-Flor.
O desfile foi notório pela presença de um vasto contingente de personalidades próximas ao cantor, como Erasmo Carlos, Wanderléa, Boni, Hebe Camargo, Alcione e duplas sertanejas como Chitãozinho & Xororó. A apresentação técnica e emocionalmente precisa rendeu à Beija-Flor o seu 12º título no Grupo Especial, atingindo a marca de 299,8 pontos.
Convites posteriores
A relação entre o cantor e a escola de Nilópolis permaneceu próxima. Em 2019, a Beija-Flor cogitou realizar um "revival" da homenagem, convidando Roberto Carlos para cruzar a Sapucaí novamente. No entanto, o artista declinou do convite devido a compromissos profissionais e turnês previamente agendadas na Europa. Aos 85 anos, Roberto Carlos permanece como uma das poucas figuras públicas a ter sua história contada e vitoriosa no maior espetáculo da terra.
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Thiago Otero Jornalista | Cultura, Carnaval e Entretenimento.
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