Fim do dinheiro vivo nos ônibus do Rio: Prefeitura detalha avanço do Jaé e novas regras de pagamento.
A Prefeitura do Rio de Janeiro detalhou, nesta segunda-feira (25), o cronograma e as regras para o encerramento do uso de dinheiro em espécie dentro dos ônibus municipais. A partir do dia 30 de maio, o sistema de transporte coletivo da capital fluminense passará por uma modernização histórica, deixando de aceitar cédulas e moedas a bordo. A transição faz parte da consolidação do sistema Jaé, a nova plataforma de bilhetagem eletrônica pública do município, que passará a aceitar pagamentos diretamente nos validadores via Pix, cartão de débito e cartão de crédito.
O anúncio oficial foi realizado no Centro de Operações e Resiliência (COR) pelo prefeito Eduardo Cavaliere e pelo secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes. De acordo com a gestão municipal, a medida visa aumentar a segurança dos passageiros, agilizar o embarque, extinguir a dupla função dos motoristas e garantir total transparência sobre a arrecadação e a aplicação de subsídios públicos.
Como vai funcionar o pagamento por Pix, débito e crédito no Jaé?
Uma das principais novidades para os usuários é a diversificação dos meios de pagamento digitais diretamente nos validadores dos ônibus. A tecnologia do Jaé permitirá que o passageiro aproxime seu cartão de crédito, débito ou utilize o celular para pagar a tarifa.
O cronograma de implementação dessas novas modalidades seguirá duas etapas de testes:
Pagamento por Pix: Começa a ser testado nesta terça-feira (26) em linhas selecionadas. A expansão será gradual ao longo do mês de junho até cobrir 100% da frota.
Cartões de débito e crédito: Também entram em fase experimental nos próximos dias, com previsão de funcionamento integral em todos os ônibus municipais até o final de junho.
Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, a mudança é sustentada por dados sólidos de adesão tecnológica. Atualmente, cerca de 95% das passagens já são pagas por meios eletrônicos (cartões ou aplicativo), o que assegura uma transição suave.
"É um avanço do sistema, baseado no controle da bilhetagem pública pela Prefeitura do Rio. Essa foi uma das maiores conquistas para a população nos últimos anos e o que permitiu transformar o BRT e avançar na renovação dos ônibus municipais", destacou Cavaliere.
Onde comprar e recarregar o cartão Jaé com dinheiro?
A Prefeitura reforçou que o dinheiro físico não perderá validade fora dos coletivos. Células e moedas continuarão sendo aceitas normalmente para a compra de passagens e recarga de créditos em pontos de venda físicos. Para garantir o atendimento a toda a população, a rede de atendimento do Jaé será expandida de 1.090 para 2 mil pontos físicos.
Atualmente, a estrutura conta com 750 estabelecimentos comerciais credenciados, 250 máquinas de autoatendimento (ATMs) em estações do BRT, VLT, metrô e aeroportos, além de 90 bilheterias do BRT. Como reforço, a partir desta terça-feira (26), mais de 700 bancas de jornal espalhadas pela cidade passarão a vender o cartão verde unitário.
O cartão verde terá o custo inicial de R$ 10, sendo R$ 5 correspondentes ao valor do casco e R$ 5 convertidos em tarifa para uma viagem. Após a utilização, o cidadão pode optar por recarregá-lo ou devolver o cartão em um posto oficial para reaver os R$ 5 do casco.
Regras para integração tarifária: BUC e BUM
Os passageiros devem ficar atentos às novas regras de integração tarifária. A partir de 30 de maio, os benefícios do Bilhete Único Carioca (BUC) e do Bilhete Único Metropolitano (BUM) estarão restritos exclusivamente ao cartão preto do Jaé (vinculado ao CPF do usuário) e ao aplicativo oficial do sistema. O cartão verde unitário deixará de conceder o desconto de integração.
As regras de uso permanecem as mesmas:
Bilhete Único Carioca (BUC): Permite até três viagens em um intervalo de três horas (sendo uma delas obrigatoriamente no BRT) pelo valor unificado de R$ 5.
Bilhete Único Metropolitano (BUM): Permite até quatro viagens entre BRT, VLT e ônibus municipais em um período de até 20 horas, mantendo a integração municipal a R$ 5.
Impacto imediato: Redução no tempo de viagem e corrida pelo cadastro
O anúncio do fim do dinheiro vivo provocou uma mudança imediata no comportamento dos usuários. Na primeira semana após o comunicado, o Jaé registrou um aumento de 300% na criação de novos cadastros, atingindo um pico de 12 mil registros em um único dia. Paralelamente, o uso de dinheiro em espécie dentro dos ônibus despencou de 9% para 5% do total de viagens.
Os impactos práticos da medida já foram testados com sucesso na linha 634 (Bananal x Saens Peña), que operou seus primeiros cinco dias úteis sem aceitar dinheiro a bordo. No período, foram registrados mais de 9,7 mil passageiros diários, sem qualquer ocorrência ou reclamação. O principal ganho operacional foi a redução de 20% no tempo de viagem, motivada pela agilidade no embarque.
"A medida amplia a segurança dentro dos coletivos, reduz riscos de assaltos, agiliza o embarque e encerra a dupla função dos motoristas", concluiu o secretário de Transportes, Jorge Arraes, ressaltando os benefícios na eficiência do transporte público carioca.
Foto: Rafael Catarcione/Prefeitura do Rio
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Thiago Otero Jornalista | Cultura, Carnaval e Entretenimento.
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