Investigações na PF apontam o fim da ‘Nova Cúpula’ da contravenção: Rogério Andrade, Vinicius Drumond e Adilsinho veem ameaças aos seus negócios.

Prisões de chefões, traições internas e a ascensão de rivais destroem o pacto firmado por Rogério Andrade, Vinicius Drumond e Adilsinho, empurrando a contravenção do Rio para a instabilidade.

As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público do Rio apontam para o colapso definitivo da chamada “Nova Cúpula” da contravenção fluminense. A trindade que tentava reorganizar o jogo do bicho ruiu. A aliança, selada por Rogério Andrade, Vinicius Drumond e Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, sucumbiu a uma sequência de traições, homicídios e ofensivas das forças de segurança.

A fratura se consolidou em outubro de 2024, com a prisão de Rogério Andrade pelo Gaeco e pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MPRJ. Apontado como o cérebro da organização e o fiel da balança no submundo, o herdeiro de Castor de Andrade controlava seus domínios com mão de ferro. Sua transferência para uma penitenciária federal isolou a mente estratégica do grupo e abriu um vácuo de poder na Zona Oeste.

A desconfiança minou a relação entre os sócios. Vinicius Drumond — filho do falecido banqueiro Luizinho Drumond — rompeu a tríade ao se considerar traído por Adilsinho. Vinicius passou a ser alvo de inquérito da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) como mandante do assassinato de um ex-gerente de pontos de jogo que teria debandado para o lado de Adilsinho. A resposta veio em formato de chumbo: Adilsinho é investigado por ordenar um atentado contra Vinicius na Barra da Tijuca, no ano passado, além de ser suspeito de encomendar mais de dez execuções. O superintendente da PF, Fábio Galvão, definiu Adilsinho como “o mais sanguinário dos capos do jogo do bicho”.

A base de Adilsinho, em Duque de Caxias, operava como o quartel-general de um império que ia além do bicho e dos caça-níqueis. A PF o aponta como chefe de uma máfia de cigarros contrabandeados em dez estados. A corporação estourou três fábricas clandestinas do grupo, onde paraguaios eram mantidos em condições análogas à escravidão. Adilsinho acabou preso em 26 de fevereiro deste ano pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado.

A fragilidade dos líderes abriu espaço para velhos rivais. Promotores revelam que Marcos Paulo Moreira da Silva, o Marquinhos Sem Cérebro, assumiu o espólio de Fernando Iggnácio — executado em homicídio atribuído a Rogério. Marquinhos, antigo braço direito de Iggnácio, iniciou uma violenta disputa territorial contra os homens de Rogério em Bangu, berço histórico da família Andrade.

Enquanto o império desmorona, os negócios formais dos contraventores entram no radar. Rogério, patrono da Mocidade, diversificava ativos em empresas de embarcações, como a Planet Boat e a Rai Holding, e no restaurante Gajos D'Ouro.

A defesa de Adilsinho, conduzida por Ricardo Braga, alegou que as imagens da prisão esvaziam a narrativa de periculosidade, negando o envolvimento com crimes ou contrabando. A defesa de Rogério não se manifestou, e Vinicius não foi localizado. O colapso da cúpula deixa o Rio em alerta para uma nova guerra pelo poder.

Foto: Montagem

--------------------------------------

Gostou? Compartilhe com seus amigos e com pessoas que também possam gostar!

📩 Sugestão de pautas e contato: thiagooterodefreitas@gmail.com

💸 Contribua via Pix:  thiagooterodefreitas@gmail.com

✍️ Thiago Otero Jornalista | Cultura, Carnaval e Entretenimento.

Tem alguma informação de bastidor, comentários, dúvidas ou críticas? Entre em contato. Informação de qualidade se faz com independência e apoio dos leitores.

Apoie o Jornalismo Independente!