Morre Cláudia Pantera, ícone da cena transformista do Rio de Janeiro.

Artista construiu trajetória marcada pela irreverência no humor e pelo pioneirismo na noite LGBTQIAPN+ carioca.

A cena cultural e LGBTQIAPN+ do Rio de Janeiro perdeu um de seus nomes mais emblemáticos. Morreu a humorista e transformista Claudia Caricata, popularmente conhecida como Claudia Pantera. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (3) pela artista e produtora Condessa Mônica, amiga próxima de Claudia, em publicação nas redes sociais. "O humor da noite LGBTQIAPN+ carioca está triste", declarou a produtora ao comunicar o falecimento. A causa da morte não foi divulgada.

Nascida na capital fluminense em abril de 1959, Claudia enfrentou uma infância de vulnerabilidade social e chegou a viver em situação de rua ainda jovem. O interesse pelas artes cênicas surgiu a partir da observação do trabalho de travestis e transformistas que frequentavam a noite carioca na época. Aos 18 anos, fez suas primeiras aparições públicas durante o desfile da tradicional Banda de Ipanema.

Sua estreia nos palcos ocorreu de forma improvisada no antigo Bar Boêmio. Na ocasião, enfrentou episódios de preconceito e um estigma relacionado às suas condições de vida anteriores. Embora a apresentação inicial tenha sido conturbada, a artista retornou ao mesmo local semanas depois, garantindo a aprovação do público e dando início oficial à sua trajetória profissional.

A mudança em sua rotina consolidou-se após ser acolhida por Célia, figura central em sua história pessoal. A partir desse período, Claudia passou a integrar o circuito de boates e produções teatrais da cidade, incluindo o espetáculo "Deu a Elza em Você". Ao longo dos anos, citou referências como Laura de Vison e Magaly Penélope em seu processo criativo, definindo seu estilo de forma espirituosa com comparações à figura histórica de Madame Satã.

Um dos momentos marcantes de sua carreira foi a participação no espetáculo "As Fantásticas", realizado aos domingos no Quiosque Rainbow (atual Quiosque Palace), em Copacabana. Ao lado de nomes como Magaly Penélope, Paullette Godar, Sara Car e Xaxu França, o projeto fixou-se como um dos pontos de referência da arte transformista no Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, a artista mantinha-se afastada das apresentações públicas e das redes sociais. Um de seus registros recentes ocorreu durante o último Carnaval, divulgado pelo jornalista Rodrigo Faour. O anúncio de seu falecimento gerou mobilização entre classe artística, frequentadores e ativistas, que destacaram o papel de Claudia Pantera no desenvolvimento do humor transformista e na história da diversidade cultural carioca.

Foto: Reprodução/Internet
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✍️ Thiago Otero Jornalista | Cultura, Carnaval e Entretenimento.

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