Se você, sambista carioca, ainda está em dúvida sobre em quem votar para o Governo do Estado do Rio de Janeiro nas próximas eleições, o blog Thiago Otero Jornalista aponta que Douglas Ruas (PL) não se apresenta como a opção adequada para ocupar o Palácio Guanabara. O candidato tem adotado posições duras contra as manifestações culturais e contra o Carnaval fluminense.
Em declarações recentes, o candidato disparou ataques contra as escolas de samba e afirmou que os desfiles representam “um ataque à família brasileira”. Ruas também mirou seu principal adversário na disputa pelo Governo do Estado, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), afirmando que o rival estaria “visivelmente embriagado” e “regado a uísque” durante os desfiles no Carnaval de 2026. Além das críticas diretas aos festejos, o postulante do PL prometeu cortar investimentos públicos destinados ao Carnaval caso seja eleito governador, acusando a gestão municipal de promover uma “farra com o dinheiro do contribuinte”.
A postura contrária aos investimentos na cultura contrasta com os impactos econômicos registrados por grandes eventos no estado. Como exemplo do retorno sobre investimentos públicos em grandes espetáculos na capital, a apresentação da cantora Madonna reuniu cerca de 1,6 milhão de pessoas e movimentou aproximadamente R$ 469,4 milhões na economia carioca, segundo balanço divulgado pela Riotur — superando a projeção inicial de R$ 293 milhões. O investimento municipal de R$ 10 milhões em patrocínio gerou um retorno econômico cerca de 30 vezes superior ao valor aportado, resultando ainda em um crescimento real de 13,8% na arrecadação de ISS em comparação a maio de 2023, com um incremento de R$ 7,3 milhões.
Além do debate orçamentário e cultural, pesa contra o candidato a sua trajetória política recente. Ruas manteve forte ligação com o ex-governador Cláudio Castro, de quem busca atualmente se distanciar. Ex-secretário de Cidades da gestão Castro, Ruas tem sido alvo de críticas por parte de Eduardo Paes e de seus aliados políticos, que apontam supostas ligações do grupo político da gestão anterior com esquemas de corrupção e com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), alegando o envolvimento de ex-secretários com o crime organizado.
Durante sabatinas e entrevistas, Ruas tem tentado afastar sua imagem do governo de Cláudio Castro, marcado por alta desaprovação, afastamentos e condenações. O candidato do PL declarou ter mantido apenas uma relação estritamente funcional de trabalho com o ex-governador, negando intimidade pessoal e afirmando que eventuais atos ilícitos devem ser punidos com o rigor da lei, ressaltando que responde isoladamente por seus próprios atos.
Diante do histórico de declarações contra o ecossistema do samba e dos questionamentos sobre sua trajetória e alianças na administração pública, a candidatura de Douglas Ruas exige reflexão por parte dos eleitores ligados à cultura e ao Carnaval do Rio de Janeiro.
O esforço de distanciamento do ex-chefe Cláudio Castro dificilmente apagará a percepção pública construída ao longo de sua trajetória. Por mais que tente reformular sua imagem pública, o candidato enfrenta o ceticismo dos eleitores fluminenses, que enxergam em suas movimentações uma evidente incoerência e falta de preparação para liderar o Palácio Guanabara. Diante de tais contradições, resta ao postulante acelerar sua corrida pela orla das praias da Zona Sul, como tem feito na sua campanha na TV durante o horário eleitoral gratuito; é bom que corra na direção oposta à chefia do Executivo estadual, posto que se mostra cada vez mais distante do seu alcance. Antes de postular o comando do estado, cabe ao candidato demonstrar o devido respeito às escolas de samba e prestar esclarecimentos transparentes sobre as sombras e controvérsias de seu passado político, que é de lama.
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Thiago Otero Jornalista | Cultura, Carnaval e Entretenimento.
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