Imperatriz do Candomblé: Parceria de Me Leva vence disputa de samba da Rainha de Ramos para 2027.

Composição defenderá a verde, branco e ouro no encerramento da segunda-feira de Carnaval, em busca do décimo título de sua história na Marquês de Sapucaí.

A Imperatriz Leopoldinense definiu, na manhã deste sábado, o samba-enredo que levará à Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. Em evento com ingressos esgotados em apenas duas horas na quadra da agremiação, em Ramos, a presidente Cátia Drumond anunciou a vitória do Samba 7, assinado pela parceria de Me Leva, Thiago Meiners, Gabriel Coelho, Herval Neto, Bernardo Nobre e Guilherme Macedo.

A celebração, iniciada na noite de sexta-feira (18), contou com show preparado pela direção artística da escola e apresentação dos segmentos. O anúncio oficial ocorreu já passava das 5h30 da manhã, quando o intérprete Pitty de Menezes entoou o refrão da obra campeã. Na decisão, o grupo vencedor superou o Samba 4 (de Josimar & cia.) e o Samba 5 (liderado por Hélio Porto), finalistas de um total de 27 obras inscritas no concurso. Cátia Drumond destacou a qualidade da safra e classificou o nível dos concorrentes como espetacular.

Com o resultado, a obra embalará o enredo “A Memória do Rei e o Sumiço de Dona Júlia”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, que assina seu quinto projeto consecutivo na agremiação. A narrativa aborda a história real de uma boneca de maracatu que ficou desaparecida por três décadas em Pernambuco, entre 1978 e 2014, quando foi entregue por um estudante a um terreiro sob a alegação de que assombrava sua residência. A proposta explora elementos de mistério, ancestralidade e religiosidade popular.

Nove vezes campeã do Carnaval Carioca, a Rainha de Ramos busca a décima estrela de sua trajetória na folia. Em 2027, a Imperatriz Leopoldinense será a quarta escola a desfilar no encerramento da noite de segunda-feira de Carnaval, no dia 8 de fevereiro, pelo Grupo Especial da LIESA.

Confira abaixo o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval 2027:

É baque virado do Congo

Cortejo de coroação

Essa loa traz mistérios

De uma história feita à mão (BIS)

Desde o tempo que ouro é marfim

A nobreza nasceu em mim

E desfila o seu esplendor

Lá no Recife

Quando a corte invade a rua

Abre caminho

Pra falar de Dona Júlia

Dona Santa subiu pro Orun

A Calunga incorporou

Tem mistério a mandinga

Que seu filho assentou

Ô Babá… na imbuia

O egun da rainha

Epa Babá…. Na madeira

O ori de Oxalá (BIS)

Ao partir seu pai de santo

Foi guardada em desencanto

Onde a vida vira conto

Quem sumiu, se fez achar

Nas tradições do Xambá

Retorna seu ilê

E o ritual vai novamente começar

É galinha d'Angola

Farinha, é sangue no couro

Sassanha pra folha de boldo

Copo d'água, fumaça e acaçá

Foram três dias

De resguardo no roncó

Feitiço que corta nó

Pra boneca reencantar (BIS)

Dama do paço

Levou pro baque das ondas

Partiu do Pina

Um cortejo a desfilar

E num silêncio que tudo dizia

Os tambores cantariam

Por quem foi, mas vai voltar

Meia-noite, meia-noite

Eu vi a terra tremer

Senhora dá passagem

Pro povo do Orun descer

Meia-noite, meia-noite

Eu vi a terra tremer

Senhora dá passagem

Pro povo descer pro Ayê

Oyá, Oyá... Ê lari ô Oyá Balé

Oyá, Oyá... Ê lari ô Oyá Balé

Que meu ogã evoque

Um ponto de macumba

Pra ganhar a rua

A Imperatriz do Candomblé

Foto: Nelson Malfacini/Imperatriz Leopoldinense

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✍️ Thiago Otero Jornalista | Cultura, Carnaval e Entretenimento.

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