Ele é ator, diretor, compositor, produtor, empresário e não é um exagero dizer que há anos promove uma revolução na indústria pornográfica. Bel Gris, é espanhol, e se identifica como uma pessoa que tem aspirações à liberdade.
Com um instinto livre e provocador, Bel entrou na carreira de ator pornô, sem pensar muito, mas logo percebeu que não concordava com o estilo padrão das produtoras. Com o objetivo de ser menos pragmático e artificial, Bel decidiu criar pornografia de um jeito original. Dono da produtora Tetatita, alcançou o sucesso internacional com suas produções que possuem estilo conceitual voltado mais para o prazer e menos para a estigmatização.
Durante uma hora de uma excelente entrevista, Bel falou sobre sua carreira, sua vida pessoal e os desafios de ser dono de uma produtora.
Bel Gris: Sei que tem muita gente no Brasil que me segue, não sei o motivo, mas sei que sou muito seguido por pessoas do Brasil. Estou muito contente com isso, mas não sei realmente o motivo, não sei como meu conteúdo chega ao Brasil, mas tem bastante gente que conhece meu personagem (Bel Gris) e conhecem a Tetatita que é minha página, mas não sei exatamente, acho que pode ser pela lingua, o português e o castelhano são muito parecidos, acredito que esse possa ser o motivo.
Thiago Otero: Como foi a sua chegada na indústria do entreterimento adulto?
Bel Gris: Foi algo que me passou pela cabeça e simplesmente fiz, não pensei muito. As vezes penso muito nas coisas, mas as vezes dou viradas, digo pra mim mesmo "vou fazer isso e aconteça o que tiver que acontecer" e também quando era adolescente, nos vestiários da escola, quando faziamos esportes e tomavamos banho juntos, os garotos, meus amigos me diziam que eu tinha que ser ator pornô, diziam que eu tinha um pênis muito grande, maior que o normal e eu não pensava asism, mas sempre me diziam que eu deveria ser ator pornô, eu não gostava da pornografia mas de alguma forma eu gostaria de fazer. É complexo, eu queria ter um pênis mais pequeno, mais normal porque chegou uma época que riam de mim na escola, por ter um pênis grande. É engraçado, eu sou pequeno, não sou muito alto e por isso acaba parecendo maior do que realmente é.
Thiago Otero: O fato de ter um pênis grande, influenciou na decisão por seguir essa carreira?
Bel Gris: Sim, não vou mentir. Mas de certa forma, existem muitos atores que tem um pênis normal e que trabalham muito bem e que são conhecidos. Não necessariamente tem que ter um tamanho espetacular só pra ficar bem na câmera. Penso que os atores e as atrizes são mais que os seus atributos sexuais, são muito mais que isso.
Thiago Otero: Em que momento surge a Tetatita? Como foi a sua decisão de criar uma produtora?
Bel Gris: Sempre fiz muitas atividades, sempre empreendi, gosto de fazer negócios, mas é muito dificil, eu não queria ter um negócio de pornografia, queria ser apenas ator mas eu não me sentia bem fazendo, quando acabava eu não me sentia bem. Quando as produtoras me chamavam acabava não ficando do jeito que eles gostariam, o que eles querem é que você fique muito duro e que aguente muito tempo. A maioria dos atores pornôs fazem uso de medicamentos, como o viagra ou injetar diretamene no pênis para que fique inchado e eu nunca quis fazer isso, fiz uma vez e tive taquicardia e nunca mais, para mim, os medicamentos me dão muito medo, tenho medo de ter dependência de medicamentos. Eu via uma série de práticas que não gostava e decidi montar minha própria empresa, como sempre fiz e montei, fiquei muitos anos perdendo dinheiro, assim são os negócios e agora estou em uma época de estabilidade mas está custando muito. Existe muita exigência por parte do Estado, a pressão fiscal é muito grande e agora com Only Fans, as pessoas associam pornografia ao Only Fans, nós que seguimos com as produtoras, fazemos o que podemos, muitas produtoras já fecharam, é muito difícil.
Thiago Otero: Como você enxerga o crescimento do Only Fans?
Bel Gris: Eu creio que o Only Fans cresceu muito durante a pandemia, sobretudo com pessoas jovens que deixaram de sair com seus amigos, deixaram de sair para seus trabalhos presenciais, estavam todos em casa, e em uma época de juventude que o corpo está bem, todos muito fortes, é uma oportunidade de ganhar dinheiro, e acaba subindo a autoestima e o êxito do Only Fans está aí. As produtoras são mais exigentes com seu conteúdo, tomamos todas as medidas sanitárias necessárias, no meu caso enquanto produtor, se alguém se contaminar a responsabilidade será minha, no Only Fans, a responsabilidade é compartilhada, não há um intermediário, não há testes de infeccção sexual, eles gravam e não acontece nada, acho que se expõem a um risco muito grande. Quando contratamos algúem, temos que fazer todos os trâmites, temos que firmar contrato, é muito complicado. Agora, eles se deram conta de que é preciso fazer as coisas de forma legal. Finalmente, se deram conta de que precisam fazer de uma maneira mais correta, não deixam de ser pequenos empresários mas precisam estar atentos as leis, as normas de cada país.
Thiago Otero: Na sua visão, qual o diferencial da Tetatita em coparação a outras produtoras como a Brazzers, Reality Kings?
Bel Gris: Essa pergunta não é fácil de responder. Creio que as produtoras tradicionais se preocupam muito com os nichos do mercado, ou se dedicam muito a pornografia heterosexual mostrando a beleza da mulher, ou produtoras gays que dedicam somente ao sexo gay, ou as que dedicam somente aos bissexuais, são muito etiquetados, são etiquetas comerciais. Com a Tetatita, ao meu ponto de vista, nunca quis criar com etiquetas, no fim acaba sendo etiquetado porque comercialmente funciona asism. Eu creio que a Tetatita é indefinível, as pessoas do marketing dizem pra mim que eu tenho que me definir, que nós não temos clareza sobre o que é a Tetatita, e eu sempre os respondo "quem não tem clareza sobre o que é a Tetatita são vocês", eu sei que tenho claro. O que eu gosto da Tetatita é que temos muitos criadores de conteúdo e quero que eles exerçam sua liberdade de expressão dentro de um mundo atrevido, pornográfico. Não quero etiquetar ninguém, quero juntar diferentes perfis e assim ver o que surge. É um pouco disso. Não é fácil, sempre estou impressionando todo mundo, até mesmo as pessoas que trabalham comigo e impressiono justamente porque necessitam de etiquetas e se não tem as etiquetas, eles se transtornam. Penso que as pessoas são seres individuais, gosto de me relacionar com pessoas livres. Quando trabalham comigo, se dão conta de que é necessário ser livre.
Thiago Otero: Como é a relação entre os atores pornôs? Você tem amizades ? É um ambiente amistoso?
Bel Gris: É um lugar de muito interesse. No começo, tudo é muito bonito, mas quando se começa a crescer é complicado. As vezes quero trabalhar muito com uma pessoa ou outra, mas não posso pois tenho um capital limitado. Durante muito tempo, eu procurei levar as relações entre os atores e as atrizes para um espaço mais pessoal, de mais amizade, que nunca chegou a ser amizade em um todo, mas uma relação mais amigável. Agora estou em uma fase de não ser tão amigável, estou mais prático. Podem confundir as coisas. Não é fácil tratar esse assunto de maneira tão profissional, é sexo, é uma relação carnal.
Thiago Otero: Como você enxerga a área da pornografia?
Bel Gris: É uma área muito perseguida. A sociedade segue nos castigando pelo o que nós fazemos, somos pessoas adultas, estamos dentro da legalidade, estão tentando perseguir, estão tentando proibir, querem nos criminalizar. Sei que a pornografia pode causar danos, mas não é minha culpa, todos os excessos fazem mal, se você comer muito, pode ficar mal. Se beber muita água, pode se afogar. Trabalhar muito, também faz mal. Penso que tudo precisa ter um equilibrio e não podemos colocar quem trabalha na pornografia como pessoas erradas na sociedade.
Thiago Otero: Que sensação te passa trabalhando com pornografia? prazer? orgulho? culpa?
Bel Gris: Sinto de tudo. Durante muito tempo me senti culpado, tem momentos que me sinto orgulhoso, tem momentos que quero criar mais., tem momentos que penso que é uma prisão, as vezes da vontade de ir para uma montanha e desaparecer. Em geral, não me arrependo de nada, sei que todos os negócios são assim. Não dá pra parar, tem que continuar, temos que criar e isso não é fácil. Temos uma obrigação com nossos inscritos, temos que produzir, criar conteúdo, falar com atores e atrizes, lidar com todos os problemas do estado, os problemas fiscais, as contratações, nada disso é fácil, os estados não facilitam, eles pensam que é fácil levar um negócio adiante mas não é. Tenho que estar sempre forte. Nunca posso ficar doente (risos) quando fico doente, tenho que trabalhar, mas sei que todos os negócios são assim.
Thiago Otero: Você já deu uma entrevista falando que as pessoas acham divertido ver um homem se masturbando, na sua opinião, as pessoas procuram pela pornografia por diversão ?
Bel Gris: Nessa procura, as redes sociais são muito importantes, tenho uma base dados de pessoas que querem ser atores e atrizes, vou compilando dados relevantes, dados necessários. É importantíssimo fazer isso. Tem que estar necessariamente renovando as informações.
Thiago Otero: Como você enxerga pessoas que tem um olhar negativo para a pornografia?
Bel Gris: Posso estar equivocado, mas creio que são pessoas que se sentem culpadas de fazer sexo, ou se sentem culpadas do corpo nu. Existe uma perseguição contra o corpo nu. As próprias plataformas como o Instagram, Facebook, Youtube, que estão dominando o mundo, elas fazem essa perseguição e colocam uma conotação negativa, colocam o nu como algo tóxico, pensam que o nu é algo feio. Aqui, nas praias da Espanha, havia muito nudismo, agora tem pouquíssimo, estão vendo como algo feio, como algo que não é belo, pensam que é algo que tem que estar sempre privado, e eu penso que é algo natural. Essas pessoas enxergam o sexo como algo religioso, que deve ser feito só para reprodução e não por prazer, dizem que o sexo entre homens é coisa do diabo. Enxergam com um olhar muito mal.
Bel Gris: Sim, os vídeos de masturbação se fazem por serem mais fáceis de gravar, não se necessita de muito contato, e eu gosto muito, sinto muito prazer de ver homens se masturbando. É como um voyerismo. Gosto da masturbação masculina e as pessoas também gostam de ver. É um momento em que se está expressando como se é de verdade, é um momento muito puro, muito essencial. É um momento de exercer a liberdade, de desejar, de vibrar, é um momento especial. São momentos que gosto de retratar, são momentos que tem valor. Tem muitos atores que não sabem se masturbar na frente da câmera, muitos homens só conseguem se tocar olhando o celular, é muito difícil.
Thiago Otero: Como é sua vida fora do trabalho?
Bel Gris: Estou estudando direito, estou no segundo período. Gosto de fazer escalada, sou muito ruim, não sou bom, mas gosto de fazer esportes. Gosto de ir as montanhas, no inverno, gosto muito de esquiar, é uma das coisas que mais gosto de fazer na vida. Tenho um barco, gosto de praia também.
Thiago Otero: De todos os produtos da Tetatita, qual seu preferido? O que te dá mais prazer?
Bel Gris: "Bake It Cum" é o preferido de todos. O que passa é que os rapazes que faziam Bake It Cum (Maripaini Produciones) se separaram e a partir daí ficou difícil fazer o "Bake It Cum". Custa muito caro, quero continuar fazendo. Pretendo fazer um acordo com os rapazes para continuar fazendo, mas é difícil.
Thiago Otero: Qual sua relação com o Brasil? Você já esteve aqui?
Bel Gris: Desde muito pequeno, sempre quis conhecer o Brasil mas nunca fui. Amaria ir. O que acontece é que tenho muito problema com aviões, quando subo em um avião, sinto uma dor muito forte entre os olhos, sinto muita pressão, acredito que devo ter um problema de sinusite. Na primeira vez que senti, achei que fosse morrer. Eu já quis ser piloto de avião, me sentiria melhor se eu conduzisse o avião. Quero ir ao Brasil, eu amaria.
Thiago Otero: Fale um pouco sobre o Bel Gris Selection, seu novo projeto na Tetatita.
Bel Gris: Foi muito engraçado quando tive a ideia, estava na montanha e resolvi fazer. Se trata de se gravar com um celular e se masturbando. Podem ser criadores de conteúdo, eu os pago, firmamos os contratos e também agora estou focado nos projetos "Que Arda Todo" e "Noches Atrevidas". "Bel Gris Selection" é um pouco caótico, não é um conteúdo de qualidade, mas a ideia é essa, sei que tem gente que gosta desse tipo de conteúdo. Me custa muito encontrar pessoas que criem conteúdo e quando encontro as pessoas querem cobrar absurdos. Não posso ter problemas fiscais, é ilegal, tenho que justificar a saída do dinheiro por isso custa muito caro.
Thiago Otero: O que você diria pra quem quer entrar na carreira pornográfica?
Bel Gris: Quando se é jovem e bonito, é mais fácil. Mas se você oferece mais do mesmo, as pessoas se cansam. Hoje em dia, o importante é agregar valor no seu trabalho, fazer o que as pessoas não fazem, e se reciclar, insistir. Mas a verdade é que os bonitos e as bonitas duram mais, mesmo assim, no final as pessoas se cansam. Quando se quer ser ator pornô tem que se ter muito claro que não é por capricho e sim por vontade, tem que estar preparado para o estigma social e também preparado para que a sua família, seus amigos te vejam. As pessoas te verão. Tem que estar disposto, as pessoas vão recriminar e fazer com que se sinta culpado. Os seres humanos não precisam da aprovação de ninguém para fazer nada, quando se é livre, não se necessita aprovação.
Thiago Otero: Como você enxerga o futuro enquanto pessoa e enquanto profissional?
Bel Gris: Penso um dia de cada vez, não sei do futuro. É muito incerto, a vida muda muito rápido, passa muito rápido. Não sei o que vai ser do futuro, sei que vou continuar fazendo minhas atividades, vou fazer a Tetatita funcionar até que as pessoas se cansem, no momento quero crescer, e toda a minha força está em querer que ela cresça. Tenho muitos sonhos, sempre quis ser cantor, mas não sou. Eu componho e canto, mas não sou bom. Tenho vontade de ter um canal de televisão. A ideia da Tetatita têm sido mais ou menos essa, de ser uma televisão pela internet. Não é nada fácil.
Thiago Otero: O que você teria a dizer sobre as pessoas que trabalham com você?
Bel Gris: As pessoas que trabalham comigo, trabalham muitíssimo. Eu as agradeço muito, trabalhar comigo não é fácil (risos). Eu pago todos, não sou esses que obrigam a fazerem horas extras. São pessoas muito boas, aprendem muito e eu aprendo muito com eles. Percebo que eles gostam do que estão fazendo, mas não é fácil. O dinheiro nunca sobra, eles cobram o que eu posso pagar. Existe uma pressão fiscal muito besta na Espanha, mais de 50% do que se produz é para o estado, como vou pagar mais com esses impostos tão bestas? Não posso pagar mais se não fico devendo ao estado. Trabalhar assim é muito difícil. Nos divertimos muito, gostamos do que fazemos, muitas vezes discutimos, mas assim vamos funcionando. Gosto de trabalhar com pessoas que gostam de trabalhar. É um prazer.
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