Guanayra Firmino pode ter mandato cassado; pedido de impeachment contra a presidente da Mangueira chega ao Ministério Público.
A presidente da Estação Primeira de Mangueira, Guanayra Firmino, reeleita em 2025 por chapa única para o triênio 2025/2028, enfrenta o risco de cassação de seu mandato. Um dossiê de 503 páginas, elaborado pelo Coletivo Transparência Mangueira e encabeçado pelo historiador Pablo Brandão, aponta graves irregularidades na gestão de recursos federais e foi formalmente entregue ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal.
O centro da crise é o projeto "Estação Primeira de Mangueira: Ancestralidade, Memória e o Poder Feminino em sua História", financiado por uma emenda parlamentar de R$ 1.140.000,00 via Ministério da Cultura. O objetivo era a criação de um acervo virtual para salvaguardar a memória da agremiação, mas a auditoria realizada por membros dos Conselhos Deliberativo e Fiscal da escola sugere que o projeto foi utilizado como fachada para o escoamento de verbas públicas.
Os Quatro Eixos da Denúncia
A investigação detalha irregularidades distribuídas em quatro eixos centrais que fundamentam o pedido de afastamento. O primeiro e mais contundente deles refere-se ao nepotismo e desvio de finalidade. O documento alega que Guanayra contratou familiares diretos, com salários pagos pela emenda federal.
O segundo eixo aponta fragilidade documental e fraude em licitação. O dossiê identifica que orçamentos foram apresentados em nome de empresas cujos CNPJs já haviam sido baixados (extintos) pela Receita Federal anos antes, o que indica uma simulação de concorrência para favorecer empresas específicas.
O terceiro ponto destaca a desproporção financeira. Enquanto rubricas destinadas à coordenação e consultorias foram pagas integralmente, bolsas de estudo destinadas a jovens da comunidade para pesquisa histórica teriam sido cortadas ou nunca repassadas em sua totalidade, ferindo o impacto social prometido no plano de trabalho.
Por fim, o grupo denuncia a postergação da prestação de contas. Alegam que, embora a gestão tenha anunciado publicamente em 2025 que o acervo estava concluído, continuou solicitando prorrogações de prazo e manutenção de pagamentos administrativos, mantendo o fluxo de caixa ativo sem a entrega efetiva do produto final à comunidade.
O Futuro da "Nação Mangueirense"
A entrega do documento aos órgãos de controle (MPF, TCU e Polícia Federal) retira a disputa do âmbito puramente interno e coloca a Mangueira sob a lupa da Justiça Federal. Caso o Ministério Público acate a notícia-crime, a presidente pode responder por improbidade administrativa e crimes contra o sistema financeiro.
Internamente, o impacto é imediato. O Coletivo Transparência Mangueira busca sensibilizar o Conselho Deliberativo para a abertura de um processo de impeachment, alegando gestão temerária. O momento é delicado: a escola se prepara para o seu centenário em 2028 e já anunciou projetos de comemoração, como um livro, um musical e um filme.
A defesa da atual gestão ainda não se pronunciou detalhadamente sobre cada ponto do dossiê, limitando-se a reafirmar a regularidade das contas.
Foto : (Leo Queiroz)
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Thiago Otero Jornalista | Cultura, Carnaval e Entretenimento.
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