A TV Globo confirmou na última quarta-feira, 29 de outubro, o cancelamento da série documental sobre a revista G Magazine, que iria ao ar em 2026, no Globoplay. A clássica revista voltada para o público gay marcou os anos 1990 e início dos anos 2000. A produção, que estava em desenvolvimento desde 2024, foi descartada porque, segundo a emissora, não conseguiu apresentar uma narrativa suficientemente envolvente para o público.
A confirmação do cancelamento veio durante um evento para jornalistas do Globoplay na última quarta-feira. Manuel Belmar, principal executivo da plataforma, explicou que “precisa ser algo atrativo. Não aconteceu isso no documentário sobre a G Magazine. Para ‘Vale o Escrito 2’, a gente está com isso no forno e espera fazer”, destacando que a decisão foi puramente criativa.
No entanto, fontes internas confirmaram que o real motivo do cancelamento seria evitar problemas com o público conservador. Segundo informações no Notícia da TV, a produção estava sendo vigiada desde as primeiras reuniões e foi censurada internamente visando atender um levantamento da Quaest, feito a pedido da emissora. O levantamento mostrou um país majoritariamente religioso, com apego à família e visão política mais central ou centro-direita. Questionado sobre a censura interna, Belmar afirmou que o cancelamento foi motivado por questões artísticas e não institucionais, afirmando que não houve censura.
A criadora e editora da revista, Ana Maria Fadigas, falou sobre o cancelamento: "Não era um documentário pornográfico. Era sobre a história da nudez masculina e da G Magazine, e isso não é pornográfico na minha concepção. E se tivesse nudez, era só esconder", afirmou Ana Maria. Ela também disse que profissionais que trabalharam no projeto alegavam estar "sob observação, entre aspas, sob censura".
A proposta da produção era explorar bastidores da revista, os desafios enfrentados por artistas que posaram para os ensaios e o impacto da publicação na comunidade LGBTQIA+ e no mercado editorial dominado pelo nu feminino.
Lançada em 1997 e circulando até 2013, a G Magazine publicou 176 edições e ficou famosa por mostrar a nudez masculina sem pudores. Curiosamente, suas primeiras cinco edições tinham outro nome: Bananaloca. Segundo os editores da época, o título original não transmitia o apelo necessário para conquistar os leitores, o que motivou a mudança.
Entre os nomes que seriam entrevistados estavam celebridades como Alexandre Frota, Mateus Carrieri, Latino, Vampeta, Túlio Maravilha, Tony Salles e Rodrigo Phavanello.
