Liga-RJ expõe bastidores da organização do Carnaval e suposta retaliação à Porto da Pedra.


A Liga-RJ, entidade responsável pelo Carnaval das escolas de samba da Série Ouro, o acesso carioca, emitiu nota de protesto contra a organização do espetáculo.

Sem citar a Liesa, a Liga-RJ, no documento enviado à imprensa na noite desta quarta-feira (21), crítica duramente diversos protocolos e decisões adotadas pelos organizadores dos desfiles na Marquês de Sapucaí.

A negativa da Liesa com o pedido feito pela Unidos do Porto da Pedra pode ser visto como uma retaliação. Em dezembro do ano passado, o presidente da agremiação, Fabio Montebelo, fez forte desabafo na abertura do minidesfile das escolas de samba da Série Ouro, que aconteceu na Cidade do Samba, na Gamboa, Zona Portuária.

Ele começou denunciando falta de recursos financeiros para as escolas do Acesso e também citou ameaças recebidas quando reclamam das dificuldades enfrentadas.

Na nota de hoje da Liga-RJ, a entidade afirmou que: “Causa profunda indignação às agremiações da Série Ouro o fato de que o GRES Unidos do Porto da Pedra, escola integrante do grupo e com grande relevância no carnaval, tenha solicitado formalmente a aquisição de um camarote no Sambódromo, demonstrando plena disposição para arcar com todos os custos envolvidos, e tenha tido seu pedido simplesmente negado, sem qualquer explicação técnica, administrativa ou contratual. Esse episódio escancara uma realidade de desigualdade e abuso, evidenciando tratamento discriminatório entre as agremiações, em flagrante violação ao princípio da isonomia e configurando restrição arbitrária de acesso a um bem público, incompatível com o espírito democrático do Carnaval”.

E o documento vai além. A Liga-RJ contesta o próprio modelo atual de gestão. “A LIGA RJ também reforça a necessidade de revisão do contrato de concessão do Sambódromo, uma vez que seus efeitos práticos vêm gerando desequilíbrios, exclusões, privilégios e restrições incompatíveis com a natureza pública do espaço. É fundamental lembrar que a Administração Pública deve observar os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal, garantindo que todas as ligas sejam tratadas de forma isonômica, sem favorecimentos e sem qualquer tipo de subordinação entre entidades privadas que utilizam um bem público”, afirma o texto que se  encerra assim:

“Esta nota não tem como objetivo atacar ou desqualificar qualquer instituição. Seu propósito é tornar público o posicionamento das agremiações da Série Ouro, construído de forma democrática, após plenária realizada no dia 21 de janeiro de 2026, quando os Presidentes e representantes escolas de samba deliberaram, de maneira coletiva e soberana, sobre os temas aqui expostos. A LIGA RJ e as agremiações da Série Ouro reafirmam sua confiança, respeito institucional e total apoio à RIOTUR, reconhecendo o papel fundamental do órgão público na organização do Carnaval e acreditando que sua atuação será decisiva para corrigir distorções, garantir isonomia e recolocar o povo no centro do maior espetáculo cultural do país. As escolas de samba da Série Ouro seguem unidas em um princípio inegociável: O Carnaval é do povo, para o povo, e deve permanecer fiel às suas raízes populares”,conclui o documento.



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